sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Times Square

É a tal da ''velha proposta de ano novo''. É válida, eu creio.
Juras pra lá, promessas pra cá... Atos comuns. Eu não os fiz. Só quero que seja diferente. Quem sabe melhor ou até pior, mas diferente. Ás vezes o coração precisa da mudança pra bater melhor; precisa do susto pra ficar atento; precisa da dor pra saber amar. É confuso falar do novo como sendo o velho ou vice-versa.
O mundo se prepara pra vida nova e minha vida se prepara pro mundo novo. A partida está dada. O resto é por nossa conta.

Mau

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Oceano

Minha pele está me escondendo.
Eu tento fugir e não consigo.
Vou cavando, cavando, cavando.
Não acho a saída.

Me solta!
Não quero seguir seu caminho.
Isso não é meu!
Me solta!
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Eu quero uma canção.
Quero a alegria de cantar.
Eu consigo cantar.
Eu sei cantar.

Meu caminho está livre.
Estou indo.
Minha silhueta é pequena.
Estou livre.


Mau

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu grito!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cresceu

Com pesadelos impulsionando os pés, ela corria pelo bosque na esperança última de ainda salvá-lo. Que se danasse a promessa de última vez feita antes, era mais importante salvá-lo!

De repente, ele sorriu.
Joelhos ralados, arranhões nos braços e lágrimas nos olhos. Do meio das pedras e dos espinhos, aquele sorriso foi uma flor, e ela não conseguiu entender como ele podia parecer tão quente e confortável naquele ambiente gelado e áspero. Tinha ido até lá aos pulos, com sua manta cor de rosa ou azul bêbê, tinha ido resgatá-lo daquela agonia e desespero e... Espera.

Ele gargalhava deliciosamente no meio das pedras que a ela pareceram um filme de terror. Os traços de menino tinham endurecido, o brilho dos olhos parecera fosco ou talvez apenas menos inquieto. Ela tinha ido com todas as suas expectativas salvá-lo do abandono e da tristeza com seus banhos de carinho.E ele não tava nem aí

Prece de berço e abraço aceitos, mas ele já não era mais criança assim. E nem percebeu quando seu sorriso aqueceu-lhe a alma e fez respirar mais leve o coração. Ela entendeu que por mais estranho que parecesse, aquele era o ninho dele.

E na sua nobilíssima missão de salvamento, inverteram-se os papeis:
foi ele que a resgatou do frio.

domingo, 28 de novembro de 2010

Marcos

EI, PAI! EU TÔ AQUI PAI, Ó! Ô PAI, ÓIA PRA CÁ! OCÊ NÃO TÁ VENDO EU NÃO PAI? Ô PAIÊÊ!
E ele não viu. Ai o tempo passou... Passou... E o pai não veio. Mas o menino precisava do homem que sumiu. Precisava de um jeito escondido. Sem que ninguém soubesse. Porque gritar ele não podia. Tinha que mostrar que era forte. Pena não era bem-vinda.
Que droga! Poderia até ser um outro homem que sumiu. Mas não! A raiva e o ódio da lavadeira se resumia em orgulho. Um orgulho feroz de risada grande e exagerada.
Então... E o menino?
Que menino?

Mau

sábado, 27 de novembro de 2010

Uma carta sóbria

Meu mundo está correndo pra fora de mim. E eu ainda nem sei ao certo. PRECISO ALCANÇÁ-LO!
Mas ele foge. Foge de mim de um jeito que eu não consigo acompanhar. E meu coração acelera. Que agonia que dá! Eu vou correndo, correndo, correndo... Quando chega lá no final eu caio. Mas que agonia que dá!
Ontem, amanhã, hoje estou parado. Eu vou me sentindo reverso de trás pra frente ao contrario e de cabeça pra baixo. Ai dou por mim e me vejo no mesmo lugar. Como sempre. Sempre parado.
Ah! A propósito: ''Onde está minha lhama? Eu preciso da minha lhama!'' Já disse que esse camelo sem corcunda não existe, oras!
Quanto mais eu sonho, menos eu os busco.

Um abraço forte, Íntimo.

Mau

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Na estrada

O céu de um azul rasgado, bonito de doer os olhos. A única nuvem ao longe, longíssimo, é como miragem pros meus lábios rachados de deserto, imaginação da sede...

E bem ali, no entre tanto, entre a casa e os livros, há árvores que pingam. Sem pássaros nos galhos, sem orvalho da manhã, sem rasto de nuvem no céu...
E só naquele pedaço de caminho, bem ali no meio de onde o sol escorrega e nos derrete, uma sombra com pequenas poças que não param de aumentar marca a passagem.

São árvores com flores bonitas.
Mas em pleno dia de céu azul,
A despeito dos sonhos de frutos deliciosos,
escorrem-lhes lágrimas.

Adivinho que vieram de longe:
choram raízes.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Volta

Dias em que a vontade é de ignorar todas as recomendações e ficar bem ali também, pequena e quieta. Agarrada no portão, de olhos grudados na rua, esperando um carro conhecido aparecer.

Vontade de pausar o agora pra poder organizar o antes e o depois que ficam zanzando entre os pensamentos, de ignorar a correria e o barulho que voam bem ali, nas costas. E deixar a lição de casa pra um depois que seja antes do boletim ou do próximo ano, mas que aguente pelo menos esperar a hora do lanche.

Dias em que dá medo e quem sabe angústia, apesar de ser palavra difícil pra essa hora de criança.

Mas aí, bem nessa hora em que eu me deixo escorregar nas vontades por dois segundos ou quem sabe três... Uma voz familiar aparece camuflada de sussurro ou gargalhada, e traz de volta - ou pelo menos até o meio do caminho - pro tal portão em que "na vida real" um carro conhecido não vai aparecer. É que a gente sempre pode fazer de conta...

Finge que alguém vem me buscar. Aí a vozinha me resgata lá naquele segundo de quase-lágrima:

"Vem brincar com a gente que a mamãe chega mais rápido!"

sábado, 2 de outubro de 2010

Maternal

Já estava quase claro e quase perto. E aí não ia ser tão perigoso fazer aquele caminho, nem tão amedrontador largar aquela mão. Aqueles dedinhos tão gelados que pediam um olhar que os aquecesse... E ela ali, obrigada a fechar os olhos pra eles, sem nem uma lágrima permitida de explicação.
Acordava em desespero tantas vezes, como se ele ainda fosse um embrulhinho, uma presa mal protegida na cesta e nos lençóis da noite fria. Como se nunca tê-lo adotado fosse tão cruel quanto o drama daqueles pesadelos em que ela o abandonava na noite, dedos frios sem abraço. Os dedos que depois ficaram ágeis e os olhinhos brilhantes de novas perguntas, novas fantasias. Quantos anos já teria? Quantas vezes ele ainda lembraria sua prece, aquela mesma que ela lhe repetiria para sempre em frente ao berço vazio? Depois daquele adeus doído e largo, o colo dela nunca mais seria o mesmo.
E rezava aos anjos que se ninguém - Deus do céu! - se ninguém mais se lembrasse de contar-lhe alguma história e colecionar coisas lindas com afagos nos cabelos lisos... Que os querubins o protegessem e trouxessem nos seus sonhos notícias gostosas do céu. Ele pelo menos saberia quando foi que o menino Jesus desceu por aqui e jogou bola.
Estava tão perto agora e o peito doía. Quão crescida seria sua angústia quando os visse assim, gentes-grandes e sem nenhum traço de lembrança dela? Viu de longe o mais velho, tão diferente e sentiu o conhecido golpe de ciúme. Aquele não era seu, nunca fora. Asas de águia o amparavam agora e a ela não era permitido carinho nenhum. E o pequeno? Às vezes achava um espaço escondido no ninho, mas era difícil. Estava quase claro... e muito perto. Ela preferiu ir embora antes que conseguisse ver, antes que ele mal-entendesse a sua saudade.
Era um desses Amores tão grandes...
Já não podia chorá-lo sem que escorresse a alma pelo rosto...

Pequena Lis

Um sol brincando de lua em plena manhã

Ou talvez fosse a lua tardia. Só pra dizer que o inverno passava...

e as rosas estavam a caminho de abrir um tanto mais, no dia depois.


Pra vocês que conhecem o cheiro do amarelo e os sons dos sonhos
Eu desejo dias com banhos de chuva e sorvete
E outros tantos de borboletas e raios de sol!

Sê bem vinda, primavera... a deserto do inverno não precisa ser eterno