quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Primeiro Momento

A casa é pequena, mas o resto é grande. Às vezes me perco. Aí eu vou indo, sabe? Vou me arriscando.
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'' Não tente ser forte. Se quiser voltar, volte.''
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É uma perna bamba em cima de uma corda, também bamba. Difícil se manter em pé, não acha? Mas eu sou um artista do circo. Sei que sou.
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''Se concentre. Gosto muito de você.''
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Seis e meia da manhã eu abro o guarda-roupa e vocês estão lá. Todos vocês.
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Só se sabe o gosto depois de provar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vazou.

''Sexo, dorgas e rock'n roll.'' Nem todos vivem disso, cara. Me desculpe.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Canto Esponjoso

Sinto uma forte dor na barriga. Acho que é de nervoso. Palmas.
''Mais uma! Mais uma!''.
Pensa! Pensa! Outra. Continuo nervoso. A barriga revira.
''OK. Vamos!''
Errei. Droga! Errei. Mas os pés continuam firmes. Já nem sei onde a barriga foi parar.
Rosto vermelho. Sentimentos apreensivos.
Acabou.

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Três da manhã. Confuso. Uma lágrima.

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''Bela
a pasagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.''

Adere.

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Mau

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cinzas

E aquele maldito cheiro de cravos espalhados pela madrugada que sufocavam mais que o choro...

"Eu não sabia que ele iria embora. Quer dizer... eu podia ter avisado ou (não, não havia nada que ela pudesse ter dito, na verdade) quem sabe eu..."

e os soluços entre balbucios eram uma tentativa desesperada de reaprender a respirar:

"Quem sabe se... se eu soubesse... teria dado um... um abraço mais forte, um olhar mais insistente. Eu só queria ter tido o tempo de dizer qualquer coisa... qualquer coisa mais interessante do que meias sujas. Você entende? Ele estava ali tão ausente e com os pés tão sujos do desprezo pelo caminho que... eu só consegui falar das meias. Não queria que se perdesse nos passos e agora..."

Pra falar a verdade, não tinha faltado tempo, mas espaço. Ele enchera tanto a cabeça e os ouvidos daquele drama, daquela desvontade de qualquer coisa que palavra nenhuma entraria. Já nem adiantava falar, porque ele insistia tanto em repetir todas as coisas que maldissera a vida inteira que rasgara os tímpanos. Agora só sabia ouvir o que sua tristeza inventasse.

E ela ficou ali, acariciando os pés sujos e descalços do cadáver. Ele tinha um par de meias brancas nas mãos. Mas de que adiantava ter aprendido a lavar as meias?

Justo ele que morrera da falta de vontade de andar...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Times Square

É a tal da ''velha proposta de ano novo''. É válida, eu creio.
Juras pra lá, promessas pra cá... Atos comuns. Eu não os fiz. Só quero que seja diferente. Quem sabe melhor ou até pior, mas diferente. Ás vezes o coração precisa da mudança pra bater melhor; precisa do susto pra ficar atento; precisa da dor pra saber amar. É confuso falar do novo como sendo o velho ou vice-versa.
O mundo se prepara pra vida nova e minha vida se prepara pro mundo novo. A partida está dada. O resto é por nossa conta.

Mau

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Oceano

Minha pele está me escondendo.
Eu tento fugir e não consigo.
Vou cavando, cavando, cavando.
Não acho a saída.

Me solta!
Não quero seguir seu caminho.
Isso não é meu!
Me solta!
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Eu quero uma canção.
Quero a alegria de cantar.
Eu consigo cantar.
Eu sei cantar.

Meu caminho está livre.
Estou indo.
Minha silhueta é pequena.
Estou livre.


Mau

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu grito!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cresceu

Com pesadelos impulsionando os pés, ela corria pelo bosque na esperança última de ainda salvá-lo. Que se danasse a promessa de última vez feita antes, era mais importante salvá-lo!

De repente, ele sorriu.
Joelhos ralados, arranhões nos braços e lágrimas nos olhos. Do meio das pedras e dos espinhos, aquele sorriso foi uma flor, e ela não conseguiu entender como ele podia parecer tão quente e confortável naquele ambiente gelado e áspero. Tinha ido até lá aos pulos, com sua manta cor de rosa ou azul bêbê, tinha ido resgatá-lo daquela agonia e desespero e... Espera.

Ele gargalhava deliciosamente no meio das pedras que a ela pareceram um filme de terror. Os traços de menino tinham endurecido, o brilho dos olhos parecera fosco ou talvez apenas menos inquieto. Ela tinha ido com todas as suas expectativas salvá-lo do abandono e da tristeza com seus banhos de carinho.E ele não tava nem aí

Prece de berço e abraço aceitos, mas ele já não era mais criança assim. E nem percebeu quando seu sorriso aqueceu-lhe a alma e fez respirar mais leve o coração. Ela entendeu que por mais estranho que parecesse, aquele era o ninho dele.

E na sua nobilíssima missão de salvamento, inverteram-se os papeis:
foi ele que a resgatou do frio.

domingo, 28 de novembro de 2010

Marcos

EI, PAI! EU TÔ AQUI PAI, Ó! Ô PAI, ÓIA PRA CÁ! OCÊ NÃO TÁ VENDO EU NÃO PAI? Ô PAIÊÊ!
E ele não viu. Ai o tempo passou... Passou... E o pai não veio. Mas o menino precisava do homem que sumiu. Precisava de um jeito escondido. Sem que ninguém soubesse. Porque gritar ele não podia. Tinha que mostrar que era forte. Pena não era bem-vinda.
Que droga! Poderia até ser um outro homem que sumiu. Mas não! A raiva e o ódio da lavadeira se resumia em orgulho. Um orgulho feroz de risada grande e exagerada.
Então... E o menino?
Que menino?

Mau

sábado, 27 de novembro de 2010

Uma carta sóbria

Meu mundo está correndo pra fora de mim. E eu ainda nem sei ao certo. PRECISO ALCANÇÁ-LO!
Mas ele foge. Foge de mim de um jeito que eu não consigo acompanhar. E meu coração acelera. Que agonia que dá! Eu vou correndo, correndo, correndo... Quando chega lá no final eu caio. Mas que agonia que dá!
Ontem, amanhã, hoje estou parado. Eu vou me sentindo reverso de trás pra frente ao contrario e de cabeça pra baixo. Ai dou por mim e me vejo no mesmo lugar. Como sempre. Sempre parado.
Ah! A propósito: ''Onde está minha lhama? Eu preciso da minha lhama!'' Já disse que esse camelo sem corcunda não existe, oras!
Quanto mais eu sonho, menos eu os busco.

Um abraço forte, Íntimo.

Mau