quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Hiato




Com olhos que me afogam
ele invade o seu espaço,
ele inunda o seu espelho,
e confunde o meu abraço.

Durou só um segundo,
se é que aconteceu.
Mas congelou meu instante
Ver, cá da janela,
Que ele foi buscar o sol
E afundou demais no sal.

Doeu cá no meu desejo
e eu parei o seu sorriso.
Lá d'outro lado da janela
Onde a sua saudade nem vê
alguém se afogando transbordou.

Olha lá ele, entregue a Posêidon!
Secou-me os lábios num piscar de longe
E você? Puxou cortina e vidro
Sussurrou ali na porta da minh'alma
que ele agora já pertence a outra onda,
e eu não podia mesmo esse resgate.

Você ajusta o espelho caído, tranca a porta.
O tal do mundo além-janela é pra depois
Num silêncio, me sossega
Seus olhos me mergulham
E eu lembro: não sei nadar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Desembolou?


Quando vem o grito, não é como se você tivesse escolha: são os mais próximos que vão te segurar firme e talvez o seu braço direito esteja com quem menos esperava, com alguém que estava ali do lado e você não tinha nem visto. E aí as pessoas se entrelaçam pela sua vida afora entre "ais" e gargalhadas, muitas vezes sem pedir a mínima licença... No máximo, quando querem fazer uma estripolia e pôr um pedaço da roda de pernas pro ar elas avisam "dá um espaço aí".
Sempre vai ter um engraçadinho pra chutar as estruturas e um desesperado pra afogar no raso. E quem é que nunca precisou entrar na dança pra não engolir seu tanto d'água também? No meio da confusão de abraços, de quase-beijos ou rasteiras, aquele rosto sorrindo sumiu de perto e aaaai, olha ali um pedacinho seu indo junto com as maluquices de outro!
"Eeei, me espera! Isso me pertence!! Páaaara com isso senão vai quebrar, caramba!"
Uns vão tentar pular fora pra escapar à confusão mas alguém vai mergulhar no emaranhado de gotas e embolar tudo de novo, alguém vai preferir o aconchego de um abraço esbarrado a esperar de braços soltos na água fria. Às vezes dói de verdade e a gente diz "sérioo, pára com isso"... mas como de outras vezes não é sério e nunca dá pra todo mundo ouvir todos os gritos, a roda não pára de girar, nem quando é sério, nem quando tá doendo de verdade.
Mas no fim das contas, o que acontece é uma explosão de gargalhadas. Devagar, recuperam-se os pedaços que tinham ficado embolados e, se os sorrisos forem muito gostosos, a lembrança de dor vai ficando leve até sumir. Aí a gente se solta ou se abraça com mais calma, talvez com mudança de lugar e tudo... só que tem aquelas coisas que nunca mudam. Depois que você toma um ar, alguém resolve entrar na brincadeira outra vez: e quando vem o grito, você já não tem escolha...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Que bom!

Só pra poder dormir. Apenas por esse motivo. Quero dizer... me sentirei melhor escrevendo, de qualquer forma.
Hoje eu fiz nada em casa além de estar no computador, apreciar um pouco de TV e dormir ao ar-condicionado, antes de sair com os amigos. Foi nesse último ato que surgiu a calma. Uma calma atordoada pela inveja dos casais ali presentes, uma vez que eu ando carente. Sim, eu ando carente. Mas não se preocupem , pois a tal calma com uma pitada de inveja era boa, ao menos pra mim.
A saída acabou-se e vim pra casa. Aqui eu descobri que o mundo solitário em que vivo nem anda tão desabitado assim. Foi aí que eu fiquei calmo e feliz, muito feliz. Por dentro e por fora. E...ah! Estou com sono e já me sinto aliviado. Boa noite.

OBS: Foi só pra poder dormir. Apenas por esse motivo.

Mau


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ajustes

São exatas 01:43 horas da madrugada e meu cérebro continua em harmonia com meus neurônios. Tudo em perfeita ligação e controle absoluto. OPA! Acho que nem tudo.
Acabei de sentir um puxão no meu lado esquerdo e um pouco pro sul da região cardiovascular. Explicação tecnica, não? Curioso. A questão é que aquele, aquele sentimento lá do fundo, do fundo mais profundo se encontra desajustado. Desajustado de um modo tão confuso quanto a minha explicação dada à cima. E é ai que se encontra o problema.
Conversando com duas pessoas percebi tamanho amor que não sinto a mim mesmo e por consequencia o fiz menos ainda. Ao contrário. Me odiei mais e mais até que tive que parar. Parei e não pensei mais. Não pensei nunca mais.
O mundo gira independente das pessoas. Mas a vida não gira em torno de sí mesma.

Mau

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Someone's missing...

You're still pretending I believe your silence, you're still faking this mask and keeping your new-old-young friend hidden... And now he's starting to make you tired, what should I try?

You tell me your fake stories and someone's missing to complete, we should find a charachter to cover that part and that talk but you want me to believe there's just us. Someone I've never met is missing here and because of this one you're missing again... missing our smiles, our plans, our tears, our nightmares and dreams. Someone is missing and making you miss (should I say lose?)

If you start running now, it's still possible to grow up. Show this hell you're going through, stop running away from the yellow lights: it's about time you payed attention! Don't miss the point of the warning voices

Someone's missing in your lies, make it stop!

Make it stop...

cause I can't stand missing you anymore

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um último relatório antes de dormir

Cheguei em casa, arrumei meu quarto, entrei no computador, e descobri o que me atinge: o prazer inenarrável de me conter em sua presença, uma vez que esta já nao me agrada.
A aguniante sensação de não te querer por perto me aflinge de forma um tanto quanto significante pra me fazer a pior pessoa do mundo. Eu que nem sei de onde vim, pra que vim e pra onde vou. Eu que não quero você e ao mesmo tempo me prendo junto a ti com seus defeitos e súplicas por carinho. Isso nao é um apelo amoroso. Muito menos um apreço por você, caro amigo. È apenas um aviso de que preciso que se comporte como alguém do seu tamanho. Seja alguém que faça diferença pra mim.

Mau

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Eles acreditam... A gente sabe!

Teve um dia cos minino cismaro de juga bola. Num sei que que arrumaro pressas vizinhança aí afora que derumjeito de brincá mesmo que o vô num emprestasse aquela do time de jeitoninhum. Brincaro, brincaro té que alguém chutou cum força dimais e ela foi pará lá longe, prums lado pirigoso que eu num deixo i de noite não.
Depois eles mesmo esquecero daquilo e foro procura otro brinquedo que não desse trabalho. Mas aí o filho do vizinho chegou de viage da capital cuma bola noviinha. Uma bola bunita, menina, cê precisarra de vê qui trem, té eu fiquei quereno chutá um cadim. Mas o minino do vizim é mimadim que só, e eu fiquei de canto só prestantenção no que que ia dá essa história di futibol.
Pois tava ino tudo muito sussegado, té que o meu mais novo, que é bom de serviço nos esporte, cumeço fazê gol e ganhá do time do minino. Nóssinhora, mai ele foi ficano bravo, foi ficano nervoso de perdê té que falou que o meu minino num ia mais era jogá nada não e que ele é que ia decidi os time e que si num fosse do jeito dele num ia sê era de jeito ninhum.
Aí o meu mais velho falô, uai, meirmão num pode brincá porquê? Por que que ocê que resolve? E ele falô que era porque ele era o dono da bola e é o dono da bola que manda na brincadera.
Meus minino largaro o vizim ca bola chique dele, juntaro cos otros minino da rua. Cada um pra sua casa, pegaro as meia velha e pronto: agora tinha uma bola que era de todo mundo, uma bola boa de meia que num era de ninguém porque tinha qualquer coisa de cada um. Menos do fresco, que gente fresca lá tem meia velha? Tem nada!
E bola bunita serve de que quando a gente num tem nem uma meia velha pra dividir? Serve pro minino ficar contano os dias de cabarem as férias e ele voltar pra casa dos tios lá na capital, lá onde num tem espaço pra juga bola e é por isso que ela tá novinha há tanto tempo.
E os meus minino? Ixi, piriga até de virar jogador profissional. Mas o que eu queria contá nesse causo num era isso não, era que eu gosto mais de quem acha do que de quem tem certeza. É que quem "sabe" é dono da bola e brincadera boa num tem mando não, tem mais é meia velha de todo mundo junto!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vigília

E aí a gente estuda o trabalho de arte, lê os críticos, discute os valores e os cânones...
Aí ela resmunga o movimento estudantil e o outro, com menos eufemismo, a estaticidade.
O cara escreveu há não sei quantos muitos anos e a porrada dele tá doendo bem ali na beirada do estômago:
"Absolutamente não é com idéias, meu caro Degas, que se fazem os versos. É com palavras"
Pobre Degas.
Pobres de nós todos, achando nas nossas vontades que fosse tão simples enfiar a cabeça nesse tal universo que se chama poesia. Nós, os reles mortais, que precisamos de uma tese de mestrado pra ver como aquela aranha verde fluorescente poderia merecer um olhar no seu passeio, e como ela poderia se acanhar de ser vista.
E essa tal farsa que se chama poesia, ai, que eu também fiquei com vontade! É aquela máscara de Atenas que tampa o rosto pra mostrar o que tem de verdade no dentro da gente, é Dionísio que não se apossa mas fica ali, de canto, vendo quem se arrisca a bater o tirso no chão e gritá-lo de novo: "eei, volta aqui! Não deixa a Modernidade só com essa balinha, só com essa garrafa: ainda tem um feixe de humanidades querendo o êxtase real!"
Não contem pra ninguém, mas nesse fingimento todo, nessa miscelânea de lembranças de seis feiras passadas eu não desisti de buscar a poesia escondida no meio da rua. E talvez "eu" também seja um "você" bem garrado lá na última camada, com medo de despregar. Mas hoje, que interessa? Eu sou só mais uma das meninas-bolha perambulando zumbi pela universidade pública. E se qualquer coisa dessas simulações é verdade verdadeira, acredita quem quiser: eu só queria era matar o tempo com letras pra não ninar o meu vazio na próxima aula de poesia!
(Pronto, falei!)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ya!

Foi entao que surgiu...
''Olha! È aquele menino que apareceu na televisão e no outdoor.''
Enquanto isso, o outro em seu canto analisa a questão: " E eu? Cadê?"
E a inveja rola solta. Que feio, você nao acha?
Não. Tudo faz parte e nada é de um todo inútil. Só faltou coragem da parte do menino pra chegar lá.

Mau

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Já dizia Fernando Pessoa...

Como era o costume na longíqua era-pré-vestibular, o vigia dormiu num canto qualquer e eu fiz de conta que ele não era um pedaço de mim e me permiti uma arte, uma travessura. Não é nem nada demais, são só os dizeres de Fernando Pessoa e de Alberto Caeiro - que talvez fosse o vigia dele - que eu quero lembrar.
Um eu lembro a vocês:

"A Beleza é qualquer coisa que não existe. É o nome que dou a alguma coisa em troca do agrado que ela me traz"

O outro eu lembro egoísta, só pra mim... E quem já me ouviu dizer que se divirta fingindo que sabe de um grande segredo