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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Amizade pré-vestibular

Entreolharam-se, ainda um pouco tímidos, até que alguém tomou coragem
_ Oi
_Ei... novo por aqui?
_ Isso... cheguei agora. Dúvida sobre a nota de corte, sabe como é né?
_Sei sim...
_ Ahn...Muito prazer então, Engenharia Química. E você?
_ Arquitetura. Fez quanto?
_ 57... Você?
_ Nossa!... eu... fiz...43-Disse, sem graça. E apressou-se em emendar - não organizei bem o tempo...É...só Federal mesmo?
_ Ah, sim... E você?
_Tentando no Rio, lá a nota foi melhor, prefiro lá.
_ hum...Veio de onde?
_ Colégio tradicional lá na minha cidade.
_ Ah...o interior! Vai começar a aula.
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Em casa, o irmão pequeno quer saber se ele fez amigos na escola nova.
_Não é escola, é cursinho! Eu já acabei a escola. E fiz sim, um amigo muito bacana. 57 na federal!
_hum... qual o nome dele?
_Que nome, menino! Quem precisa de nome? Só tem que assinar na folhinha de respostas, mas, mesmo assim vem digitado no cabeçalho, com inscrição e tudo. Decorar nome! Criança tem cada idéia...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Just breathing

É, eu não deveria
Porque hoje é segunda feira e eu completei todas as minhas obrigações mas não fiquei satisfeita com os estudos...eu nunca fico mesmo. Além disso, eu me proibi de usar o computador nos dias de semana. E costumo me fiscalizar a respeito. Hoje o vigia dormiu na porta.
Então gasto as horas em que devia dormir tentando respirar
Tentando não juntar os cacos do vidro, porque isso me cortaria as mãos
E eu preciso delas inteiras, mesmo que nunca façam o suficiente.

Never enough...and still more than I can take
I never do enough...always do too much

Onde a gente chega com comparações? Elas são um caminho muito curto, muito estreito, sem saída. A gente não chega. Mas teima em tentar. E na volta, a consciência resmunga o tempo perdido, os fantasmas revigorados, as dores apreendidas e não aprendidas. Os pontos fracos estouram e a gente eufemiza. E eu eufemizo tudo usando esse sujeito plural que na verdade é só um que não quer admitir o erro só.
O estudo devia ter rendido mais, os exercícios deviam ter sido feitos com mais atenção, as palavras deviam ter sido melhor calculadas, as dores deviam ter sido controladas... Os passos deviam ter sido mais rápidos, a frustração devia estar contida. O vigia deveria estar atento.
As reclamações resmungando delas mesmas...os silêncios brincando de epifitismo com a garganta. Feito o cipó chumbo que não é parasita mas estrangula sem querer
E alguém de ouvidos abertos se interessou pelo meu texto não escrito. Mas as minhas palavras estão angustiadas porque os olhos parecem lacrados
Neurônios insanos brigam com esse ócio improdutivo... Estudar, estudar, comparar e cobrar
Viver também de vez em quando

Respiração? Se der tempo...
Vai dar...afinal de contas, o que é que se faz de meia noite às seis?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Vida após o vestibular

Antes formavam-se padres nos seminários
E freiras nos conventos
Estudava-se algo de outras coisas, mas o fim era a religião.
Houve a filosofia, os pensadores e seus discípulos.
E enfim, as escolas.
Teóricamente, centros de informação e formação.
Mas quem se importa com as teorias? Do auge da minha felicidade saborosa, paira uma inquietação, umas comparações fantasma, uns conceitos imbecis. Uma saudade em sonhos voa por entre a indignação que me perturba.
Centros estudantis formam o quê mesmo? Bons memorizadores em lugar de consciência?
Que mundo avesso!
E eu achava, desde pequena, que a escola era uma formadora de caráter, de humanidade...

Formação de pessoas? Não por aqui...
Formar pessoas não tem estatística nenhuma, não tem nome, não tem tabela comparativa.
Na escola se formam seres humanos ou cidadãos? Que bela bobagem! Te conto um segredo:
os "bons colégios de Belo Horizonte" não precisam formar pessoas


A função da escola agora é formar vestibulandos...